A regra é simples: escuna se o objetivo é preço, lancha compartilhada se o objetivo é o Saco do Mamanguá, e privativa a partir de 4 pessoas. Essa é a decisão que mais mexe no orçamento de Paraty e é a que os guias grandes não fazem, porque exige comparar preços que estão públicos mas ninguém tabula.
O fato que resolve metade das dúvidas: escuna comum não vai ao Saco do Mamanguá. Se o fiorde está na sua lista, o passeio de escuna de R$ 120 a R$ 252 simplesmente não serve — você precisa de lancha compartilhada a R$ 300 por pessoa, de privativa, ou de táxi-boat saindo de Paraty-Mirim. Muita gente compra a escuna barata achando que vai ver o Mamanguá e descobre no cais que o roteiro é outro.
A escuna custa de R$ 120 (Lagoa Azul, saída 11h) a R$ 252 (Netuno Vintage, 10h30), com média de mercado por volta de R$ 267 e algumas fontes citando pacotes de R$ 80 a R$ 150. Dura 5 a 6 horas, leva de 35 a 130 passageiros (as Netuno IV e II levam 120-130), tem roteiro fixo e inclui stand-up paddle, caiaque, snorkel, flutuadores, bote de apoio para desembarque, serviço de frutas e banheiros separados. Bar e restaurante a bordo existem, mas se paga à parte — almoço e bebidas não estão no preço, e o transporte até o cais também não. Os roteiros são diferentes entre si e vale escolher: a Netuno Discovery (9h30, 6h) faz Ilha dos Cocos, Ilha do Pescador, Praia da Conceição e Ilha do Cotia; a Netuno I (10h) vai a Malvão, Salvador Moreira, Sapeca, Rapada e Comprida Norte; a Netuno Vintage (10h30, 5h) faz Cocos, Conceição, Pescador e Saco da Velha. Check-in é 40 minutos antes, crianças até 5 anos não pagam e de 6 a 10 anos pagam metade.
A lancha compartilhada custa R$ 300 por pessoa na Netuno Expedition, com saída às 9h para a Baía de Paraty ou para o Mamanguá, e dura 5 horas — mais rápida, vai mais longe e tem parada mais curta: no Mamanguá são três paradas de cerca de 40 minutos, no Engenho, no Costa e no Cruzeiro. Inclui máscara de snorkel e nada mais; o almoço é opcional na Praia do Cruzeiro. As regras são mais duras que na escuna: mínimo de 4 pessoas para a saída se confirmar, menores de 6 anos não embarcam, sem pets, documento com foto obrigatório, ticket retirado 30 minutos antes e reembolso só com cancelamento acima de 24 horas.
Agora a conta que muda a decisão. A privativa da Green Tours sai a R$ 1.100 para 2 pessoas, R$ 1.600 para 4 e R$ 2.500 para 10, com 6 horas e 7 paradas; a Muana começa em R$ 1.500 para 2 pax e vai a R$ 3.500 para 14. Divida: R$ 1.600 entre 4 pessoas dá R$ 400 por cabeça, contra R$ 300 da compartilhada — R$ 100 a mais por pessoa para comprar roteiro livre, 6 horas em vez de 5 e o direito de ir à Cajaíba e a praias que escuna nenhuma alcança. A partir de 4 pessoas, portanto, a privativa praticamente empata e a gente escolhe ela sem hesitar. Para casal, não: aí é escuna por preço ou compartilhada por causa do Mamanguá. Operadores reais para cotar: Paraty Tours e Paraty Booking (frota Netuno), Green Tours, Muana Turismo, Lancha Safari Paraty, Rupe Tour, Arraia Tours e Marina Farol de Paraty. Revendedores como Civitatis, Viator e GetYourGuide às vezes saem mais barato — a Civitatis lista Mamanguá a R$ 200 e ilhas a R$ 120 — mas cote nos dois lados antes de fechar.
E quando chove? Você não perde o dia: fica no centro histórico, que é onde Paraty foi feita para funcionar debaixo de água. O calçamento pé-de-moleque é inclinado de propósito para canalizar e drenar, e o casario refletido nas poças é honestamente a melhor foto que a cidade dá. Um roteiro de tarde chuvosa que fecha sozinho: Casa da Cultura para exposições e acervo caiçara, Museu de Arte Sacra dentro da Igreja de Santa Rita, o circuito coberto de igrejas (Remédios, Rosário e São Benedito, Capela das Dores), um cachaça tour guiado sobre o papel da cachaça na história brasileira, a livraria-café histórica do centro, e um almoço longo em Banana da Terra ou Quintal das Letras — dia de chuva é exatamente quando dá para conseguir mesa nessas casas. Em chuva leve, o Engenho D'Ouro (8h30 às 17h, todos os dias) funciona, porque o tour da destilação e a degustação são internos.
Uma distinção que ninguém explica em português e que vai poupar seu pânico: alagamento por maré não é enchente. Cerca de uma vez por mês, na maré alta de lua cheia, a água do mar entra pelas aberturas dos muros e cobre as ruas do centro com 15 a 25 cm por poucas horas, até a maré baixar; os comerciantes colocam pontes de madeira para os pedestres e a vida continua. Isso é fenômeno arquitetônico, é parte do projeto da cidade e vale ver. O que é problema de verdade é o verão: entre dezembro e março, os 300 a 500 mm de chuva por mês alagam o centro de fato e derrubam a energia. Se você vê água na rua num dia de lua cheia e céu limpo, tire foto. Se você vê água na rua em janeiro debaixo de temporal, aí é outro assunto.