Não existe melhor praia em Floripa — existe a praia certa para o que você quer, e as respostas ficam em pontas opostas da ilha. Surf é leste. Família e água morna é norte. Praia deserta é sul e trilha. Badalação é Jurerê. Quem tenta fazer as quatro coisas na mesma base gasta a viagem no carro. Abaixo, a curadoria por perfil, e depois a Ilha do Campeche em detalhe, porque ela é a única que exige planejamento antecipado.
Surf: Joaquina, Mole, Brava e Moçambique. A Joaquina tem a fama internacional e as ondas potentes dos campeonatos históricos; a Mole tem força e tubo frequente e é a escolha dos locais, além de sediar campeonatos. Se você surfa e vai escolher onde dormir, o leste é o lado óbvio — e é também o lado onde a água é mais fria e o mar mais mexido, o que não é problema para quem está de neoprene.
Família com criança pequena: Canasvieiras, Jurerê, Cachoeira do Bom Jesus, Ingleses e Daniela — todas no norte. O norte concentra mar calmo, água mais quente e a melhor infraestrutura da ilha, e Ingleses soma água calma com boa infra. A contrapartida honesta: o norte tem noite agitada, trânsito ruim em janeiro e está longe das trilhas do sul. A Praia Mole, que os locais amam, é justamente a que a gente não recomenda com criança.
Badalação: Jurerê Internacional é o epicentro, com os beach clubs e as festas concentradas no verão num bairro de mansões. A Praia Mole e o entorno da Lagoa da Conceição formam a segunda camada, com público mais jovem e alternativo e vida noturna no Centrinho. Vale saber que Brava e Jurerê são as praias mais caras da ilha: quiosque, cadeira e bebida custam bem mais que no resto.
Praia deserta e trilha: Lagoinha do Leste, Matadeiro, Naufragados, Galheta e Moçambique. Todas dependem de trilha ou barco, e é isso que as mantém vazias. O Matadeiro é silencioso e cheio de natureza, bom para surfista que evita multidão. A Galheta pertence ao Parque Natural Municipal da Galheta, foi criada a pedido de naturistas e só tem acesso a pé. Moçambique é extensa e pouco urbanizada, ideal para caminhada longa. A maior parte das trilhas da ilha está no sul — se este é o seu perfil, durma em Campeche, Armação ou Pântano do Sul.
Água mais quente: norte, em geral — Jurerê, Canasvieiras e Daniela. O mar do norte é mais tranquilo e mais quente; leste e sul são agitados e gelados. Lembrando o número que manda em tudo: acima de 21 °C só entre outubro e maio, mínima de 18 °C em agosto.
Mais bonita, por consenso: a Ilha do Campeche, pelo mar cristalino azul-caribe e areia branca. Entre as praias da ilha principal, Jurerê, Mole, Campeche e Lagoinha do Leste disputam o pódio, e a escolha aí já é gosto pessoal.
Ilha do Campeche, em detalhe: são no máximo 800 visitantes por dia, e o controle funciona. Na temporada 2026, com a entrada controlada, o limite de 800 foi ultrapassado em apenas quatro dias até 11 de janeiro, e a Justiça classificou a redução de turistas como sucesso histórico. Ou seja: a fila não é teatro, e quem chega sem autorização não entra.
Como agendar: a autorização é individual, em formato de bilhete virtual, emitida exclusivamente em ilhadocampeche.pmf.sc.gov.br, com data da visita e opção de transporte. A taxa do bilhete é de R$ 15 por pessoa, e ela não inclui a travessia, que custa de R$ 185 a R$ 250 por pessoa conforme a época e o ponto de saída. Circulam menções a um aplicativo chamado Floripa Área Verde, mas o canal oficial que conseguimos confirmar é o site da Prefeitura — use ele.
O detalhe logístico que ninguém conta: as 800 vagas são divididas por cotas entre associações de barqueiros, e elas são muito desiguais. A APAAPS, que sai da Praia da Armação, tem 410 autorizações por dia. A ATBL, da Barra da Lagoa, tem 135. A ATBC, da Praia do Campeche, tem apenas 73. A Acompeche tem 62, e sobram 120 para embarcação própria e outros. Mais da metade das vagas sai da Armação — quem insiste em embarcar no Campeche está disputando 73 lugares por dia. É permitido chegar nadando, de caiaque ou de prancha, respeitadas as regras, mas isso consome a cota de 120.
Na ilha: o acesso é permitido exclusivamente das 9h às 17h e a permanência típica é de cerca de 4 horas. Há trilhas guiadas curtas — Letreiro (30 min), Pedra Fincada (30 a 40 min), Volta Norte (2 h), Pedra Preta do Sul (40 a 50 min) e Pedra da Vigia (40 min) — que custavam de R$ 20 a R$ 30 cada em 2025, sem valor de 2026 confirmado. O patrimônio arqueológico com inscrições rupestres, as formações rochosas e as cavernas subaquáticas são o que diferencia o lugar de uma praia bonita qualquer.
Por último, o conselho que salva a viagem: nunca deixe a Ilha do Campeche para o último dia. A ilha fecha em caso de mau tempo, mar agitado ou ausência de equipe de monitoramento, e não há como remarcar um dia que não existe mais. Coloque o Campeche no segundo ou terceiro dia e mantenha os últimos como reserva.