Vá entre junho e o início de setembro. A regra que quase nenhum guia explica direito é esta: chove de janeiro a maio, mas as lagoas ficam boas DEPOIS que a chuva para. A duna guarda a água da chuva anterior. Por isso abril, o mês mais chuvoso do ano com 306 mm, é um mês ruim para visitar — a água está no volume máximo, só que turva e sem sol —, enquanto julho, com 45 mm e praticamente nenhuma chuva, é o auge.
A janela real vai de junho ao início de setembro. A janela inteligente é outra: fim de maio e agosto. Em maio as lagoas já estão de 80% a 100% cheias, o sol é imprevisível mas os preços são os melhores do calendário — o fim de maio é a aposta dos guias locais. Em agosto chovem 10 mm no mês inteiro, a água ainda é a de julho e a lotação caiu; é o mês que a gente marcaria. Julho é o pico absoluto e também o mais caro e mais cheio.
De setembro em diante a conta muda. Setembro é variável e depende de quanto choveu no ano; em outubro já é difícil achar lagoa cheia, em novembro só restam as perenes e em dezembro elas estão praticamente vazias. Se a sua viagem cair nessa faixa, mude a base para Santo Amaro, cujas lagoas são mais profundas e secam por último, ou troque o motivo da viagem: kitesurf em Atins tem temporada de agosto a janeiro, com pico entre setembro e novembro. Janeiro a março as lagoas estão enchendo e o tempo instável — é a baixíssima temporada, com os preços mínimos do ano e o risco correspondente.
Sobre ingresso e agendamento, seja cético com o que você lê em inglês. Em 2026 não há cobrança de ingresso no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e não existe agendamento nem e-ticket obrigatório para o visitante comum. Circula em sites estrangeiros de baixa qualidade a afirmação de que haveria um e-ticket com 90 dias de antecedência, com slots de manhã e tarde e junho de 2026 esgotado: não encontramos confirmação disso em nenhuma fonte oficial do ICMBio ou do Ministério do Turismo, nem em veículo brasileiro. Trate como falso. O que existe de fato é uma taxa municipal em Santo Amaro, de R$ 10 válidos por 3 dias, normalmente já embutida no valor do circuito.
O que mudou de verdade em 2026 foi a regulação da caminhada. Desde 01/05/2026 o ICMBio exige reserva prévia nos pontos de apoio comunitários antes de iniciar a travessia, limita o grupo a 10 pessoas por guia, obriga a carregar dispositivo de coleta de dejetos humanos dimensionado ao grupo e proíbe vidro e fogueira, com fiscalização específica na temporada e sanções administrativas e penais. Em paralelo, os editais 01 e 02 de 2026 formalizaram o credenciamento de transportadores e condutores: mais de 3.000 prestadores foram capacitados entre março e abril.
Vá antes que restrinjam. A visitação saiu de 151 mil pessoas em 2019 para cerca de 440 mil em 2024 e 650 mil em 2025, um recorde e um crescimento de mais de 400% em seis anos, empurrado pelo título de Patrimônio Natural da Humanidade dado pela UNESCO em 2024. O ICMBio já desenvolve o Número Balizador da Visitação, um limite diário que está em projeto-piloto e ainda não foi implantado. Gratuito hoje, provavelmente limitado amanhã.
Quantos dias: 3 dias e 2 noites cobrem o mínimo viável em Barreirinhas (Lagoa Azul, Lagoa Bonita e Rio Preguiças). De 4 a 5 dias é o padrão que a gente recomenda, com base única e um bate-volta. Com 6 dias dá para as três bases sem correria, e a partir de 7 cabe a travessia a pé ou a emenda na Rota das Emoções até Jericoacoara, que pede de 8 a 12 dias.
Como chegar: São Luís é o hub, com aéreo ida e volta entre R$ 700 e R$ 1.500. De São Luís a Barreirinhas são cerca de 4 horas e 250 km de asfalto — ônibus Cisne Branco ou Expresso Guanabara por R$ 70 a R$ 95, com saídas às 6h e 14h, ou van compartilhada com pick-up no hotel por R$ 120 a R$ 130, com partidas de madrugada, de manhã, às 12h30 e às 17h30. Para Santo Amaro são 5 a 6 horas porta a porta, sendo 1h30 de 4x4 na areia, por R$ 120 no compartilhado. Para Atins, cerca de 5h30: van até Barreirinhas mais a lancha das 12h30 pelo Rio Preguiças. Chega-se de carro comum a Barreirinhas e a Santo Amaro, mas dentro do parque só se circula em 4x4 com condutor credenciado — não existe visita autoguiada nas dunas.